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Destaques

IT: A Coisa e IT: Capítulo Dois — A Obra-Prima de Stephen King que Reinventou o Terror Moderno

 

Arte promocional dos filmes IT – A Coisa (2017) e IT: Capítulo Dois (2019). No centro da imagem, o palhaço Pennywise aparece em close, com expressão ameaçadora, maquiagem branca, olhos amarelados e sorriso sinistro. À esquerda, estão reunidos os integrantes do Clube dos Perdedores quando crianças, diante de uma casa sombria e de um balão vermelho com a frase: "Você também vai flutuar." À direita, aparecem os mesmos personagens já adultos, em frente à placa da cidade fictícia de Derry, no estado do Maine, sob um céu avermelhado. Na parte inferior, o título destaca os dois filmes e a chamada: "A história completa de Pennywise e do Clube dos Perdedores". A composição utiliza tons escuros, vermelhos e cinzentos, criando uma atmosfera de suspense e terror inspirada na obra de Stephen King.

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1. Introdução: O Fenômeno de Derry nos Cinemas

Existem poucos vilões capazes de atravessar gerações sem perder o poder de assustar. Pennywise é um deles. Mais do que um palhaço assassino, ele representa os medos que carregamos desde a infância. Nos dois filmes dirigidos por Andy Muschietti, Stephen King ganhou uma adaptação que transformou um clássico do terror em uma experiência emocional e visual inesquecível.

Ao dividir o romance em dois filmes, Muschietti encontrou espaço para explorar não apenas os momentos de terror, mas também os traumas, as amizades e o processo de amadurecimento do Clube dos Perdedores. O resultado foi uma adaptação que vai além dos sustos, utilizando Pennywise como uma poderosa metáfora para os medos que carregamos da infância até a vida adulta.

O sucesso dessa abordagem foi confirmado por uma bilheteria histórica: IT: A Coisa tornou-se um dos filmes de terror de maior sucesso da história, provando que o público buscava uma narrativa capaz de equilibrar horror, emoção e desenvolvimento de personagens.

2. Ficha Técnica Comparativa

Item

IT (2017)

IT: Capítulo Dois (2019)

Diretor

Andy Muschietti

Andy Muschietti

Direção de Fotografia

Chung-hoon Chung

Checco Varese

Roteiro

Chase Palmer, Cary Fukunaga, Gary Dauberman

Gary Dauberman

Duração

135 minutos

169 minutos

Principais Atores

Bill Skarsgård, Jaeden Martell, Sophia Lillis, Finn Wolfhard

Bill Skarsgård, Jessica Chastain, James McAvoy, Bill Hader

Orçamento/Receita

US 35 mi / US 700 mi

Distribuição: Warner Bros. Pictures

3. A História de Derry: Uma Cidade sob Maldição

Derry é o "subúrbio quintessencial" de King, onde o mal não é um intruso, mas um residente onipresente. Sob a influência da Coisa, a cidade opera em um ciclo sinistro de 27 anos, marcado por tragédias que a população, mergulhada em uma apatia sobrenatural, escolhe ignorar. Muschietti utiliza a geografia urbana para sugerir que a cidade é uma extensão física de Pennywise, onde a maldade se esconde sob a normalidade das ruas ensolaradas, revelando que a indiferença dos adultos é tão letal quanto as garras da criatura nos esgotos.

4. Pennywise: A Personificação do Medo

  • Origem e Forma: A entidade é um ser milenar proveniente das Deadlights (Luzes da Morte), uma energia cósmica destrutiva que assume a forma de palhaço para atrair presas vulneráveis.
  • A Performance de Skarsgård: Bill Skarsgård entrega uma interpretação magistral, equilibrando uma alegria infantil bizarra com uma maldade predatória. Detalhes técnicos como o "olho preguiçoso" (que Skarsgård move em direções opostas sem CGI) e o uso de próteses dentárias que lembram um "ouriço-do-mar" acentuam o horror visual.
  • Manipulação do Trauma: A criatura personifica medos específicos: o Leproso (interpretado por Javier Botet) para o hipocondríaco Eddie, e a figura distorcida de Judith (a mulher do quadro) para Stan.
  • Efeitos Práticos: O trabalho de maquiagem de Alec Gillis e Tom Woodruff Jr. (studioADI) priorizou o horror tátil, usando o rosto de Skarsgård como uma tela para a deformidade emocional.

5. O Clube dos Perdedores: União Contra o Mal

O grupo é unido por estigmas sociais e traumas domésticos, transformando sua vulnerabilidade em arma:

  • Bill Denbrough: O líder gago, consumido pela culpa e pelo luto por seu irmão Georgie.
  • Beverly Marsh: Enfrenta o horror real do abuso paterno e a difamação social em Derry.
  • Richie Tozier: O "Trashmouth"; utiliza o humor cáustico como mecanismo de defesa para esconder um pavor paralisante.
  • Ben Hanscom: O arquiteto sensível, alvo de bullying por seu peso, mas cujo intelecto é vital para a sobrevivência do grupo.
  • Mike Hanlon: O historiador e guardião das memórias de Derry; é o único que permanece na cidade para vigiar o retorno do mal.
  • Eddie Kaspbrak: Um hipocondríaco controlado por placebos e por uma mãe asfixiante. Pennywise zomba de sua confusão clássica entre "placebo" e "gazebo" no confronto final do segundo filme.
  • Stanley Uris: O cético do grupo, cujo medo assume a forma da bizarra e desproporcional Judith.

6. Grandes Temas: Além dos Sustos

A duologia transcende o gênero ao abordar três pilares existenciais:

  • A Perda da Infância: O momento em que a amizade deixa de ser brincadeira para se tornar um pacto de sobrevivência.
  • Trauma e Memória: A dificuldade dos adultos em lembrar os horrores de Derry exemplifica como o trauma suprimido molda a psique até que seja confrontado.
  • Coragem: Definida não pela ausência de medo, mas pelo ato de enfrentá-lo coletivamente.

7. Diferenças Entre o Livro e os Filmes

A adaptação de Muschietti modernizou a obra, alterando a linha do tempo das crianças dos anos 50 para os anos 80. Elementos cósmicos complexos, como a tartaruga Maturin, foram reduzidos a Easter Eggs visuais — como o Lego de tartaruga no quarto de Bill (Capítulo 1) ou a tartaruga na sala de aula de Ben (Capítulo 2).

A mudança mais polêmica reside no Ritual de Chüd. Enquanto no livro é uma batalha metafísica de vontades e línguas, os filmes optaram por uma execução mais visual e simplificada, focando no poder psicológico da união, o que gerou ambivalência entre os puristas da obra original.

8. O Que os Filmes Acertaram (Pontos Fortes)

  • Design de Som e Trilha: Benjamin Wallfisch criou uma partitura sofisticada. O uso da cantiga britânica "Oranges and Lemons" funciona como o monólogo interno da criatura, variando de uma canção de ninar em Every 27 Years a gritos aterrorizantes em Time to Float. Destaque para o uso do Wurlitzer na faixa The Pennywise Dance, evocando um "carnaval do inferno".
  • Elenco: A química do elenco mirim é irretocável, e a transição para o elenco adulto (especialmente Bill Hader como Richie) é um triunfo de casting.
  • Estética: O contraste entre a fotografia saturada e nostálgica de Chung-hoon Chung no primeiro filme e o escopo mais sombrio de Checco Varese no segundo estabelece perfeitamente a mudança de tom entre infância e maturidade.

9. O Que Poderia Ser Melhor (Crítica Analítica)

Como crítico, é impossível ignorar a intrusão excessiva de CGI no terceiro ato do Capítulo Dois. Onde o horror prático de Alec Gillis e Tom Woodruff Jr. brilha, os efeitos digitais na forma final de aranha de Pennywise por vezes removem o peso tátil do medo. Além disso, a duração de quase três horas do segundo filme compromete o ritmo, perdendo-se em flashbacks que, embora emocionalmente ressonantes, diluem a urgência do confronto final.

10. Curiosidades de Derry

  • O Mestre em Cena: Stephen King faz um cameo memorável como o dono da loja de penhores Secondhand Rose, onde ele zomba do final dos livros de Bill.
  • Legado de Ben: O ator Brandon Crane, que interpretou o Ben jovem em 1990, aparece como um executivo na empresa de arquitetura de Ben adulto.
  • O Medo Real de Tim Curry: O palhaço original de 1990 tinha fobia real de palhaços e exigia em contrato a ausência de superfícies reflexivas no set para não ver sua própria maquiagem.
  • Inspiração Clássica: O design de Pennywise foi influenciado pela maquiagem de Lon Chaney em O Fantasma da Ópera.
  • Improviso: A frase de Richie chamando a Coisa de "sloppy bitch" foi um improviso de Bill Hader, inspirado em um insulto que ele usa jogando videogames.
  • Terror nos Bastidores: Skarsgård e Curry mantinham distância deliberada das crianças no set para garantir que as reações de pavor fossem autênticas.

11. Conclusão: Vale a Pena Assistir?

A duologia IT é uma jornada catártica e obrigatória. Apesar das simplificações temáticas, a visão de Muschietti respeita a alma da literatura de King, transformando monstros em metáforas para as dores do crescimento.

"Você também vai flutuar."

O universo de Derry se expandirá em breve com a série Welcome to Derry na HBO Max. Com Bill Skarsgård retornando não apenas como Pennywise, mas como Produtor Executivo, a série promete explorar as origens do mal e trará conexões intertextuais fascinantes, incluindo o personagem Dick Hallorann, criando uma ponte direta com o universo de O Iluminado. Derry ainda tem muitos segredos para revelar.

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