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IT: A Coisa e IT: Capítulo Dois — A Obra-Prima de Stephen King que Reinventou o Terror Moderno
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1. Introdução: O Fenômeno de Derry nos Cinemas
Existem poucos vilões capazes de atravessar gerações sem perder o poder de assustar. Pennywise é um deles. Mais do que um palhaço assassino, ele representa os medos que carregamos desde a infância. Nos dois filmes dirigidos por Andy Muschietti, Stephen King ganhou uma adaptação que transformou um clássico do terror em uma experiência emocional e visual inesquecível.
Ao dividir o romance em dois filmes, Muschietti encontrou espaço para explorar não apenas os momentos de terror, mas também os traumas, as amizades e o processo de amadurecimento do Clube dos Perdedores. O resultado foi uma adaptação que vai além dos sustos, utilizando Pennywise como uma poderosa metáfora para os medos que carregamos da infância até a vida adulta.
O sucesso dessa abordagem foi confirmado por uma bilheteria histórica: IT: A Coisa tornou-se um dos filmes de terror de maior sucesso da história, provando que o público buscava uma narrativa capaz de equilibrar horror, emoção e desenvolvimento de personagens.
2. Ficha Técnica Comparativa
Item | IT (2017) | IT: Capítulo Dois (2019) |
Diretor | Andy Muschietti | Andy Muschietti |
Direção de Fotografia | Chung-hoon Chung | Checco Varese |
Roteiro | Chase Palmer, Cary Fukunaga, Gary Dauberman | Gary Dauberman |
Duração | 135 minutos | 169 minutos |
Principais Atores | Bill Skarsgård, Jaeden Martell, Sophia Lillis, Finn Wolfhard | Bill Skarsgård, Jessica Chastain, James McAvoy, Bill Hader |
Orçamento/Receita | US 35 mi / US 700 mi | Distribuição: Warner Bros. Pictures |
3. A História de Derry: Uma Cidade sob Maldição
Derry é o "subúrbio quintessencial" de King, onde o mal não é um intruso, mas um residente onipresente. Sob a influência da Coisa, a cidade opera em um ciclo sinistro de 27 anos, marcado por tragédias que a população, mergulhada em uma apatia sobrenatural, escolhe ignorar. Muschietti utiliza a geografia urbana para sugerir que a cidade é uma extensão física de Pennywise, onde a maldade se esconde sob a normalidade das ruas ensolaradas, revelando que a indiferença dos adultos é tão letal quanto as garras da criatura nos esgotos.
4. Pennywise: A Personificação do Medo
- Origem e Forma: A entidade é um ser milenar proveniente das Deadlights (Luzes da Morte), uma energia cósmica destrutiva que assume a forma de palhaço para atrair presas vulneráveis.
- A Performance de Skarsgård: Bill Skarsgård entrega uma interpretação magistral, equilibrando uma alegria infantil bizarra com uma maldade predatória. Detalhes técnicos como o "olho preguiçoso" (que Skarsgård move em direções opostas sem CGI) e o uso de próteses dentárias que lembram um "ouriço-do-mar" acentuam o horror visual.
- Manipulação do Trauma: A criatura personifica medos específicos: o Leproso (interpretado por Javier Botet) para o hipocondríaco Eddie, e a figura distorcida de Judith (a mulher do quadro) para Stan.
- Efeitos Práticos: O trabalho de maquiagem de Alec Gillis e Tom Woodruff Jr. (studioADI) priorizou o horror tátil, usando o rosto de Skarsgård como uma tela para a deformidade emocional.
5. O Clube dos Perdedores: União Contra o Mal
O grupo é unido por estigmas sociais e traumas domésticos, transformando sua vulnerabilidade em arma:
- Bill Denbrough: O líder gago, consumido pela culpa e pelo luto por seu irmão Georgie.
- Beverly Marsh: Enfrenta o horror real do abuso paterno e a difamação social em Derry.
- Richie Tozier: O "Trashmouth"; utiliza o humor cáustico como mecanismo de defesa para esconder um pavor paralisante.
- Ben Hanscom: O arquiteto sensível, alvo de bullying por seu peso, mas cujo intelecto é vital para a sobrevivência do grupo.
- Mike Hanlon: O historiador e guardião das memórias de Derry; é o único que permanece na cidade para vigiar o retorno do mal.
- Eddie Kaspbrak: Um hipocondríaco controlado por placebos e por uma mãe asfixiante. Pennywise zomba de sua confusão clássica entre "placebo" e "gazebo" no confronto final do segundo filme.
- Stanley Uris: O cético do grupo, cujo medo assume a forma da bizarra e desproporcional Judith.
6. Grandes Temas: Além dos Sustos
A duologia transcende o gênero ao abordar três pilares existenciais:
- A Perda da Infância: O momento em que a amizade deixa de ser brincadeira para se tornar um pacto de sobrevivência.
- Trauma e Memória: A dificuldade dos adultos em lembrar os horrores de Derry exemplifica como o trauma suprimido molda a psique até que seja confrontado.
- Coragem: Definida não pela ausência de medo, mas pelo ato de enfrentá-lo coletivamente.
7. Diferenças Entre o Livro e os Filmes
A adaptação de Muschietti modernizou a obra, alterando a linha do tempo das crianças dos anos 50 para os anos 80. Elementos cósmicos complexos, como a tartaruga Maturin, foram reduzidos a Easter Eggs visuais — como o Lego de tartaruga no quarto de Bill (Capítulo 1) ou a tartaruga na sala de aula de Ben (Capítulo 2).
A mudança mais polêmica reside no Ritual de Chüd. Enquanto no livro é uma batalha metafísica de vontades e línguas, os filmes optaram por uma execução mais visual e simplificada, focando no poder psicológico da união, o que gerou ambivalência entre os puristas da obra original.
8. O Que os Filmes Acertaram (Pontos Fortes)
- Design de Som e Trilha: Benjamin Wallfisch criou uma partitura sofisticada. O uso da cantiga britânica "Oranges and Lemons" funciona como o monólogo interno da criatura, variando de uma canção de ninar em Every 27 Years a gritos aterrorizantes em Time to Float. Destaque para o uso do Wurlitzer na faixa The Pennywise Dance, evocando um "carnaval do inferno".
- Elenco: A química do elenco mirim é irretocável, e a transição para o elenco adulto (especialmente Bill Hader como Richie) é um triunfo de casting.
- Estética: O contraste entre a fotografia saturada e nostálgica de Chung-hoon Chung no primeiro filme e o escopo mais sombrio de Checco Varese no segundo estabelece perfeitamente a mudança de tom entre infância e maturidade.
9. O Que Poderia Ser Melhor (Crítica Analítica)
Como crítico, é impossível ignorar a intrusão excessiva de CGI no terceiro ato do Capítulo Dois. Onde o horror prático de Alec Gillis e Tom Woodruff Jr. brilha, os efeitos digitais na forma final de aranha de Pennywise por vezes removem o peso tátil do medo. Além disso, a duração de quase três horas do segundo filme compromete o ritmo, perdendo-se em flashbacks que, embora emocionalmente ressonantes, diluem a urgência do confronto final.
10. Curiosidades de Derry
- O Mestre em Cena: Stephen King faz um cameo memorável como o dono da loja de penhores Secondhand Rose, onde ele zomba do final dos livros de Bill.
- Legado de Ben: O ator Brandon Crane, que interpretou o Ben jovem em 1990, aparece como um executivo na empresa de arquitetura de Ben adulto.
- O Medo Real de Tim Curry: O palhaço original de 1990 tinha fobia real de palhaços e exigia em contrato a ausência de superfícies reflexivas no set para não ver sua própria maquiagem.
- Inspiração Clássica: O design de Pennywise foi influenciado pela maquiagem de Lon Chaney em O Fantasma da Ópera.
- Improviso: A frase de Richie chamando a Coisa de "sloppy bitch" foi um improviso de Bill Hader, inspirado em um insulto que ele usa jogando videogames.
- Terror nos Bastidores: Skarsgård e Curry mantinham distância deliberada das crianças no set para garantir que as reações de pavor fossem autênticas.
11. Conclusão: Vale a Pena Assistir?
A duologia IT é uma jornada catártica e obrigatória. Apesar das simplificações temáticas, a visão de Muschietti respeita a alma da literatura de King, transformando monstros em metáforas para as dores do crescimento.
"Você também vai flutuar."
O universo de Derry se expandirá em breve com a série Welcome to Derry na HBO Max. Com Bill Skarsgård retornando não apenas como Pennywise, mas como Produtor Executivo, a série promete explorar as origens do mal e trará conexões intertextuais fascinantes, incluindo o personagem Dick Hallorann, criando uma ponte direta com o universo de O Iluminado. Derry ainda tem muitos segredos para revelar.
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